13 de Dezembro de 2010

Quando a nossa vida, sucede-se, no dia a dia, num quase, ondular perfeito e dormente, sem sobressaltos e com rarissimas emoçoes, os dias tornam-se  monotonos, sem qualquer vontade, de sairmos, conhecer pessoas, partilhar ideias, discutir pontos de vista, ir beber um copo, ela torna-se rotineira ,e mesmo que ao nosso lado estejam pessoas, nós sentimo-nos sózinhos. O passado, retido na nossa mente, é o companheiro que nessas ocasioes partilha conosco momentos, fragmentos de felicidade ou de tristeza que por vezes fazem-nos um esgar, que não sabemos se sorrimos ou se choramos, porque neles estão guardados todos acontecimentos que de uma forma ou de outra nós partilhamos com alguém e que nos marcaram. Momentos efémores de apontamentos, que no presente, ainda trazem résteas de emoçoes que não passam de forma indelével e ainda têm o sabor de outrora, porque na sua essência, só lhes falta a presença daqueles que os protagonizaram.

Contudo, quando de repente, o presente nos retransporta para um passado de 40 anos e nos traz as pessoas, com quem nós partilhamos, tantos momentos de felicidade, de prazer, de tristeza, de abandono, de palavras que não se disseram e que se não podem dizer agora, quando o passado nos faz ficar mais perdidos ainda, num turbilhão de emoçoes sem a possibilidade de partilharmos com as pessoas todos momentos que o tempo nos impediu de o fazer, quando o passado apesar de presente, continua ausente e longe 40 anos, como que a castigar-nos, por naquela altura não termos feito o que queremos fazer agora, nós, apesar de tudo, ficamos muito felizes.

A nossa vida passada que, a vida do tempo marcou, agora, já só nos permite reviver com saudade as recordaçoes que nos deixaram doces de boca, porque como as coisas, essas recordaçoes têm os seus comos, quês e porquês, e há que ter todo o cuidado, porque poderemos desencadear imparaveis e desmedidas emoçoes que poderão vir a tornar-se mais tarde, em recordaçoes, com amargos de boca.

Rever as pessoas que comigo partilharam o passado, será uma dádiva.

Voltar a poder abraça-las, dizer-lhes que os sentimentos continuam intocados, puros como naquela altura, voltar a ouvir a melodia das suas vozes, voltar a ver o brilho dos olhos e repartir toda a excitação que o olhar mostra, será a maior recompensa, que o tempo me dará.

Este desassossego, um dia, acabará, e o sossego dos dias voltará, sereno.

 

 

publicado por paraisoverde às 19:07

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